Setembro Amarelo: Prevenção ao Suicídio

O suicídio é uma doença grave de âmbito mundial que figura entre as 03 primeiras causas de morte de pessoas entre 15 a 35 anos, concorrendo com mortes por doenças cardiovasculares, acidentes automobilísticos e violências diversas.

No Brasil, uma pessoa morre a cada 45 minutos. E, ainda, é a segunda causa de mortes em pessoas que têm entre 15 e 29 anos de idades.

A sociedade, mais precisamente, os Condomínios, têm convivido diariamente com tentativas ou consumação do suicídio. Situação esta que na maioria das vezes falta informação ou receio de falar do tema por ser visto como tabu.

Por estarmos diante de uma doença séria, a comunidade condominial deve se unir, falar e aprender sobre o assunto para saber como agir.

Atenção!

O suicídio não é “escolha”. É, antes, sintoma de profundo sofrimento psíquico e de doença grave em que o indivíduo precisa de um tratamento sério e tecnicamente competente, não de julgamentos ou críticas.

Mas o que é o suicídio? Ocorre em quais indivíduos? E a tentativa?

Todo caso de morte, que resulta de um ato realizado pela própria vítima, a qual sabia que aquele ato tem potencial para produzir este resultado.

É um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero.

A tentativa suicida é o ato assim definido que falha em levar ao resultado morte.

Quais são os comportamentos suicidas e gravidade crescente?

  • Pensamentos de morte (não observável);
  • Ideias suicidas (não observável);
  • Desejos de morte (pode ser observável. Em alguns casos, o indivíduo revela/expressa isso de forma direta ou indireta);
  • Motivos para a morte (pode ser observável);
  • Intenção de morte (pode ser observável);
  • Planejamento suicida (pode ser observável);
  • Tentativas de suicídio (pode ser observável);
  • Atos impulsivos (sem planejamento);
  • Suicídio consumado.

Quais são os sinais de alerta?

Não devem ser considerados isoladamente e, também, não há uma “receita” para detectar seguramente quando uma pessoa está vivenciando uma crise suicida, nem se tem algum tipo de tendência suicida, sendo eles:

  • Isolamento Social;
  • Sentimentos recorrentes de solidão, abandono, impotência, desesperança;
  • Aparecimento ou agravamento de problemas de conduta;
  • Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança (desesperança);
  • Manifestações verbais, expressão de ideias ou de intenções suicidas, tais como: “Eu só queria sumir/desaparecer/fugir”; “Vou deixar vocês em paz”; “Eu só dou trabalho mesmo”; “Sou um peso para minha família, para meus amigos”; “Não faço nada certo”; “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar”; “É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.”

E os fatores de risco?

São condições que fragilizam, ainda que não sejam determinantes:

  • Sexo: masculino;
  • Faixas etárias: entre 15 e 35 anos e acima de 75 anos;
  • Portadores de transtorno mental (inclusive abuso de substâncias);
  • História de tentativas de suicídio;
  • Histórico familiar de suicídio;
  • Conflitos familiares graves e frequentes;
  • Perdas significativas recentes (mortes, separações, desemprego etc.;
  • Personalidade com traços significativos de impulsividade, agressividade, humor lábil;
  • Discriminações (orientação sexual; identidade de gênero; étnico-racial);
  • Condições clínicas incapacitantes (doenças degenerativas e/ou incuráveis; dores crônicas; lesões perenes);
  • Falta de perspectiva no futuro (desesperança persistente);
  • Estratos econômicos extremos, entre outros.

Caro(a) Leitor(a), pensamentos e sentimentos de querer acabar com a própria vida podem ser insuportáveis e pode ser muito difícil saber o que fazer e como superar esses sentimentos, mas existe ajuda e tratamentos disponíveis.

O que fazer diante de uma pessoa sob risco de suicídio?

  • Encontre um momento apropriado e um lugar reservado para falar sobre suicídio com a pessoa.
  • A tarefa mais importante é ouvi-la efetiva e afetivamente. Deixe-a saber que você está disponível para acolhê-la e ofertar seu apoio. O objetivo é preencher uma lacuna criada pela desconfiança, desespero, perda de esperança e dar à pessoa a esperança de que as coisas podem melhorar.
  • Uma abordagem calma, aberta, de aceitação e de não-julgamento é fundamental para facilitar a comunicação.

Algumas dicas!

  • Ouça atentamente e permaneça calmo(a). Se precisar, inspire e expire suave, discreta e profundamente.
  • Entenda os sentimentos da pessoa (empatia).
  • Dê mensagens não-verbais de aceitação e respeito.
  • Expresse respeito pelas opiniões e valores da pessoa.
  • Converse honestamente e com autenticidade.
  • Mostre sua preocupação, cuidado e afeição por ela.
  • Focalize nos sentimentos da pessoa (e não na sua curiosidade ou angústia pessoal).
  • Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de saúde mental, de emergência ou apoio em algum serviço público. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.
  • Se desconfiar que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais tecnicamente competentes nos serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa.
  • Se a pessoa com quem você está preocupado(a) vive com você, assegure-se de que ele(a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte em casa. Exemplo: pesticidas, armas de fogo, instrumentos perfurocortantes, medicamentos, andares altos sem proteção/queda e outros.
  • Mantenha-se atento(a) e próximo(a) para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo.

O suicida “bem sucedido” é um repetidor crônico de vários comportamentos pré-suicidas (observáveis ou não). Em geral, faz diversas tentativas efetivas até o ato consumado.

Saber reconhecer os sinais de alerta (em si mesmo ou em alguém próximo a você) pode ser o primeiro e mais importante passo.

Onde buscar ajuda e prevenir?

  • Unidades Básicas de Saúde: Saúde da família, Postos e Centros de Saúde.
  • UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro e Hospitais.
  • Centros de Apoio Psicossocial – CAPS.
  • Centro de Valorização da Vida (CVV) – Telefone 24 horas: 188 (ligação gratuita). Também é possível conversar por chat pelo site oficial www.cvv.org.br

Diante disso, face a importância e gravidade do caso, devemos deixar de lado as críticas e prejulgamentos a fim de ajudar o suicida ou pessoa próxima a ele ou a nós mesmos, pois, segundo a Prof.ª Drª Alexandrina Meleiro, temos que amarelar diariamente e não somente no mês de setembro. Fique atento(a)! Peça ajuda! Oferte ajuda!

Autoras:

Cirelle Monaco de Souza

Advogada Condominial I Sócia-fundadora da Monaco Sociedade Individual de Advocacia.

Maria Fernanda de Carvalho

Psicóloga Clínica e da Saúde

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